quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O mestre das iluminuras


Esse é o título do livro que eu estou terminando de ler. Mais um que se vai, mais uma saudade que fica. Mais um que eu vou ficar a imaginar como ficou depois que as páginas acabaram. Se brincar, até vou sonhar com eles...

Finn é um mestre de iluminuras. Iluminador, como alguns o chamam. Ele pinta as páginas das sagradas escrituras. Em bom português, ele faz aqueles desenhos ao redor das páginas manuscritas pelos antigos padres, bispos e todos os outros que tinham "moral" para escrever a palavra de Jesus.
Ontem Finn ficou sabendo que sua filha morreu de parto. Triste capítulo. Triste como as mulheres morriam de parto na época dos iluminadores. Ah, eu ainda não disse! Isso se passa lá pelo século XIV, na Inglaterra, pouco antes da Reforma Protestante.
Finn foi casado com uma judia. Isso, por si só, já era motivo para sua condenação, não importa quanto ele estivesse disposto a pagar pela sua absolvição. Mas quem se apaixona por judia e tem uma filha com ela não está disposto a pagar um centavo que seja pra garantir coisa nenhuma da igreja. Certo?
Rose, a filha, morreu, assim como sua mãe, de parto. Pariu Jasmine, nome judeu, que foi batizada como Anna.
Engraçado como basta ler um livro assim para entender um pouco como funciona a humanidade. As pequenas coisas mudam, mas os que elas representam não. Nós, a humanidade, continuamos pagando para ter uma vaga no céu. Continuamos não casando com judias e continuamos não dando o nome de Jasmine às nossas filhas.
Eu sei que é racional não reagirmos mal a certas coisas. É como fazer cara feia para comida. É feio, deprimente, mas é inevitável. Tenho o costume de pensar que somos maus e preconceituosos de nascença. Lutamos sim, todos os dias, para que isso não nos domine. É muito fácil achar que somos diferentes um do outro. É muito fácil achar que somos melhores! Basta uma pessoa dizer, já acreditamos de pronto. Se somos melhores, diferentes, obviamente que não toleramos quem é pior.
Vivemos num mundo de comparações. É aquela velha história que os filósofos costumavam conversar durante o cafezinho mesmo antes de Finn desenhar a primeira casinha. Uma pessoa só é feia porque existe outra bonita... E assim vamos que vamos.
Vamos a luta!!
É preciso lutar, com unhas, alma e dentes, para sermos menos piores todos os dias.

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