Já falei que gosto de títulos?
Sou apaixonada por eles. Não sou boa em dar títulos, pelo menos não quanto eu gostaria, por isso não me atrevo muito.
Fico tão decepcionada quando ouço uma puta música e me deparo com um título que nada mais é do que a primeira frase do refrão. Preguiça mortal, eu acho. Quem é capaz de escrever AQUELA letra, eu penso, só precisaria de mais alguns minutos de dedicação (ou 1 segundo de inspiração) pra me sair com um título melhor. Que decepção!!
Eu gosto dos títulos que Vinícius dá aos sonetos. Tá, tudo bem, até ele tem seus momentos de preguiça.
Tem um poema que diz assim:
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! Uma cadela
Talvez... Mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
Tive impressões erradas a respeito desses versos. Li o título e os dei uma segunda chance. Chama Soneto de Devoção. Não achei que esse homem tivesse devoção por essa mulher.
Hakuna matata!
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Eu também gosto de títulos. E sentia falta deles por aqui, ia até comentar isso um outro dia. Sobre este em particular, não me parece assim tão deslocado, sobretudo olhando o trecho "A única entre todas a quem dei / Os carinhos que nunca a outra daria."
ResponderExcluirUma coisa você há de convir: é um título bem Vinícius. Eu, quem sabe, colocasse: "Meu quadro preferido", mas aí já seria tratar com muita pouca devoção um poema tão lindo! ;)
Em tempo... aqui tem títulos, sim. Só o último post que não. (Da série: "what was I thinking ?")
ResponderExcluirGosto dos exageros de Vinícius.
ResponderExcluirE você tem razão, o trecho sugere devoção. E de fato, o título não parece deslocado. Nunca achei deslocado, na verdade. Quando li a primeira vez, achei que era algo menor, digamos assim. Quando vi que o que esse homem sentia era devoção, li mais um vez e me permiti o exagero.
Sobre os títulos daqui, são tão pobres que passam despercebidos. Não sou boa nisso! E pra ser bem sincera, acho sempre uma pressão aquele campo do título esperando pra ser preenchido. No geral abro mão do meu gosto por títulos e simplesmente preencho o campo com a "primeira frase do refrão".
Perdão? :)
OBS: Quase um post :p
Lembranças
ResponderExcluirEu acho que eu me empolguei tanto com os textos que, na pressa, atropelei os títulos.
V. me trouxe à mente uma lembrança antiga. Não gosto de música clássica. Na verdade, não gosto de música instrumental. Meu negócio sempre foi letra, palavra e cia. Mas um dia perdi um pouco a birra. Foi quando um amigo disse algo como: "Lê o título da música e usa o som pra escrever o resto mentalmente" (ele não falou isso, mas eu entendi isso).
Beijos... (e viu como estou tentando me redimir ? agora até os comentários do seu blog tem título)