sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Dezessete

Ontem eu lembrei do ano que fiz 17 anos. Não tenho um adjetivo pra ele. Sei que adjetivos facilitam a nossa vida, mas foi mal, de fato não tenho. Tinha um cd do Engenheiros do Hawai, chamado 10001 destinos que acabou virando a trilha sonora desse ano. Até hoje, quando ouço uma música ou outra (sim, o cd está no meu mp3 p.) lembro de como dormia ouvindo essas músicas. Gostava das letras e das versões que foram dadas a várias músicas antigas. Refletia sobre essas músicas, escrevia sobre elas.
Foi o ano que virei noites sem sono, cheia de pensamentos.
Passava dias mascando chiclete. Emagreci, perdi cabelo, mas não tive gastrite. Nesse ano só li os livros para o vestibular. Li Marília de Dirceu e adorei. Não adoro mais, no entanto. Li outras coisas que não me lembro e acho que fui bem na prova de literatura.

Nesse ano, indo às várias missas que o meu colégio promovia, encarei o fato de que nunca ia entender o "amor de Cristo" e muito menos aquela estória de "próximo". Achava isso tudo muito difícil, mas nunca tinha tomado nenhuma atitude. Minhas opiniões sobre a igreja ficam para próxima. Combinado?
Sabe o que me fez lembrar desse ano? Vou transcrever aqui.

Que seja dita a verdade que o angustia
Que cada lágrima escorra legendada
Que o grito não necessite de tradução simultânea
Que exploda a dor fuzilada
Que dilacerem os sonhos dementes
Que não julguem a fé involuntária
Que não se faça pó tudo o que sente
Que não transforme a história em vaga lembrança

Faltam algumas frases, não consegui lembrar de todas. Eu tinha 17 anos, talvez nem completos ainda, mas algumas dessas frases, eu lembro, são fruto de perguntas que ecoavam na minha cabeça. Eu ficava a me perguntar porque a gente tinha sempre que explicar porque chorava. Se a lágrima já escorresse legendada, não teríamos esse problema. Que bobagem, eu penso hoje. Coisa de adolescente, diria a velhinha aqui agora : ) Mas não é exatamente assim. Muitas coisas me fizeram chorar naquele ano, mas não foi de forma alguma um ano triste.
Uma dessas frases, no entanto, ainda fazem sentido pra mim. Eu até gosto que a escrevi. "Que não julguem a fé involuntária". Continuo achando uma das coisas mais bonitas a "fé involuntária". Aquele acreditar só por acreditar. Simples assim. Daí outro dia outra amiga tava se questionando de onde vinha a força de certas pessoas... Até mesmo a nossa, de largar tudo que é importante pra conhecer coisas novas, pra se tornar uma pessoa melhor... Não tive como responder, não lembrei que acredito nessa fé. Dias depois, assisti a um dvd que gosto muito, de uma banda chamada Nós 4, cantando músicas nacionais, covers e músicas próprias. A primeira delas é Maria Maria. A vocalista vai e solta: Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. Quem traz no corpo essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida". Escrevi mais um email para minhas amigas, emails onde coloco minhas reflexões, e essa foi a trilha sonora. E ela concordou. Era a fé involuntária na vida.

Aqui e por mim sepulto
Todo esse amor que sem bom senso dói
Toda essa dor que sem cessar me toma
...
Aqui jaz um amor enorme
Um amor tão grande, que não mais em mim cabia
Aqui jaz e eu espero que pra sempre
Esse amor e toda a sua poesia
...
Não me traga uma só flor
Não coloque uma só margarida
No túmulo do amor que nunca amaste
No jazigo do meu sofrimento, na minha ferida

Não tinha mais 17 anos e foi difícil cavar essa cova. As reticências vão ficar por isso mesmo, joguei o caderno fora. Será que me arrependi?? Não lembro se joguei.

O ano que fiz 17 anos também foi o ano que Cássia Eller morreu. Como gostava dela, como lamentei que não teria mais a possibilidade de ir a um show dela.

Nesse ano também me apaixonei. Por quem não devia, obviamente. Porque desgraça só presta grande, como se diz lá pra cima. A parte boa é que me serviu de inspiração. E não, a cova não foi pra esse amor.

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