domingo, 13 de setembro de 2009

Com sabor de fruta mordida

Um dia perguntaram quem era mais poeta, se Cazuza ou Renato Russo. Não costumo fazer pouco de perguntas (e não o fiz), mas essa pergunta continua sendo das mais descabidas que eu já ouvi. Fiquei sem dar minha opinião (como faço tantas vezes, mas terei oportunidade de falar sobre isso em breve). Não dei minha opinião, não disse que achava a pergunta um absurdo. Fiquei somente a escutar as opiniões e entendi que "ser mais poeta" seria parecer mais profundo, sentimental, visceral até. Partindo desse conceito, Augusto dos Anjos sim era poeta. Drummond não.
Não prefiro Cazuza a Renato Russo. Na verdade, não procuro compará-los. Sei que falei que a vida é feita de comparações, mas eu procuro evitá-las.
É interessante, digamos assim, como Renato Russo é alvo de excessos. Há os que amam e os que odeiam. Tento me livrar dos rótulos e imaginar quem era essa pessoa que escrevia tão compulsivamente. Parecia que tinha o melhor e o pior da humanidade dentro de si. Parecia que ia explodir sempre. Ele, como ninguém, saberia entender os excessos.
A beira do abismo me parece ser lugar comum de todos eles, na verdade. Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo, Renato Russo, Cazuza...
Quer saber, prefiro Cazuza. "É que eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano..." E quer saber mais, às vezes eu tenho a impressão de que ninguém nunca vai escrever alguma coisa como Codinome Beija-Flor (sim, com exagero e tudo mais). http://www.youtube.com/watch?v=mIGhPJG9cR4&feature=related
O tempo não para !!!
Bebel Gilberto, a mesma que cantou Eu preciso dizer que te amo, viu/ouviu Cazuza, já no fim da vida, cantar O tempo não para... Não sei se eram grandes amigos como dizem, mas gosto de pensar que eram. Amizade me comove. Gosto de pensar que ela estava lá na platéia, aplaudindo o amigo de tanta bebedeira e poesia, pensando em como de fato o tempo não para. Muito pelo contrário, como passa rápido. E como, de fato, procurando um lugar comum, o que se leva dessa vida é a vida que se leva.
Pra mim é bom que seja na simples e suave coisa (antes de mudarem de idéia e dizerem suave coisa nenhuma) dos Secos e Molhados.

Todos morreram jovens. Penso que seus corpos não suportariam tantos excesso por mais muitos anos. Gosto de pensar que ficaram o suficiente. Uns levam mais tempo para fazer alguma coisa por esse mundo, outro não. Outros simplesmente chegam, provocam e nos deixam o "problema" pra ser resolvido.

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