sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Então me conte... How does it feel?

Sabe aquele tempo em que pra fazer sucesso cantando tinha que ser Sinatra?

Então, ainda bem que passou. Meu reencontro com Bob Dylan me fez pensar nisso.

Gosto de conversar sobre música. Sobre os gostos, os cantores, os compositores, não sobre afinação, instrumentos, riffes, whatever... Entendo nada disso. Sei que em mais de uma dessas conversas, com pessoas que gostam de conversar sobre isso também, quase todos concordam que há o cantor certo pra cada música. Sendo mais clara, que coisa "bonita" seria Nando Reis cantando "New York, New York", não? Mas nada mais adequado do que o mesmo cantando All Star.
Herbert Vianna, dos Paralamas. Caleidoscópio só serve com suas voz e guitarra.
E me diga o que seria de Ouro de Tolo sem a voz brega (vamos combinar que a voz era brega!) de Raul Seixas?

Mas tem Chocolate nas vozes de Tim Maia e Marisa Monte... humm Acho que a Vitória Régia faz diferença aí. Gosto de força mais do que de suavidade. Putz, mas e a Bossa Nova!? É, não tenho opinião sobre isso. A última frase que começa com "Gosto" não tem fundamentação. Acabo de decidir que gosto de força e suavidade.

Tem uma coisa que sempre me arrisco a dizer. E porque falo aqui das coisas que gosto só por gostar, ouso repetir. As versões de Cássia Eller pras músicas sempre ficaram melhores que as originais. E porque o blog é meu :)(ui!), Cássia Eller cantou Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band tão bem quanto os Beatles. Só pecou pelo excesso de modernidade, digamos assim. Rock antigo, tradicional, na base da guitarra, baixo e bateria tem seu charme. E eu particularmente gosto de charme mais do que de beleza e outros opcionais.

Como falei, Bob Dylan me fez pensar nessas coisas. Quando Sinatra gravava seus primeiros discos, nascia um dos piores cantores do mundo. Grande Robert! O charme do trio guitarra, baixo e bateria só pode ser cutucado por uma gaita. Isso na minha cabeça retrógrada e pouco aberta para inovações (pelo menos quando se trata de rock). Isso graças a Bob Dylan. E porque meu coração tem esse gosto tendendo sempre ao decassílabo, percorro as raridades e termino em Like a Rolling Stone. Ninguém até hoje fala (canta) How does it feel? como Robert "Dylan".
Queria ver Mallu Magalhães cantando isso... Gosto das versões que ela faz.

Ah! Tem também aquela banda canadense chamada Rush. Eles tem o pior cantor de todos os tempos. E é preciso que se diga, combina nada com a música que eles fazem.

Tire 6 minutos e 55 segundo do seu dia, 1km correndo no meu ritmo, para ouvir/ver.
http://www.youtube.com/watch?v=f7rlG8vCco0&feature=related

Atenção! Não perca o foco olhando para os microfones supermodernos.

E tem também o órgão, mas eu prefiro não comentar.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Era pra verso ter perfume

Tenho um pouco de problema em ser impessoal. Em um sentido muito específico: obra-autor. Tenho profunda dificuldade de entender e gostar da obra se não simpatizo com o autor. Já fui muito mais. Aos poucos me liberto desse atraso de vida e me permito.

Quando Michael Jackson morreu eu me choquei. Não fazia sentido aquela pessoa morrer (algumas pessoas, pra mim, nunca vão morrer... rs). Quando as pessoas morrem, por pior que tenham sido, parece que sempre ganham uma segunda chance. Uma oportunidade de deixar na memória das pessoas apenas as coisas boas que fizeram. Eu sempre tive uma imagem ruim de Michael Jackson... Não sei exatamente o porquê. Não simpatizava e, por isso, não queria intimidade. Na semana da morte, em meio à polêmica da morte, à polêmica da vida, ao funeral-show, me permiti ler sobre, ouvir sobre (afinal, as pessoas ganham uma segunda chance depois da morte). Naquela semana, alguém, acho que um reporter, disse a seguinte frase: Precisou Michael Jackson (o grande astro, o rei do pop, não lembro exatamente o que) morrer pra que o mundo soubesse que ele foi um bom pai.
Não por ele, não pelo reporter, não pela comoção mundial, mas eu parei pra pensar um pouco naquele momento. É engraçado como eu senti como se estivesse julgando o cara erroneamente a vida inteira. Como se eu pudesse ter sido injusta. E como agora ele morreu, não deu tempo de eu ter sido justa enquanto ele estava vivo. Estranho, eu sei. O ó! Mas essa não é a questão que me motivou a escrever hoje. Essa é a contextualização!

Bom. Querendo não repetir o mesmo erro com tantos outros autores e suas obras, listei alguns mentalmente. Dentre eles, está Miguel Falabela. Passeando pelo youtube, me deparei com uma longa entrevista concedida a Marília Gabriela (que também já perambulou pela lista). No final das entrevistas que ela faz, pede sempre para o convidado falar alguma frase, algum verso, algum ditado que signifique algo para ele. Miguel Falabela falou uma coisa assim: Feliz daquele que conheceu o perfume do que perdeu.

Então o assunto. Bem curto, na verdade.
Apesar de ter rinite alérgica e, por isso, ter o olfato meio alterado pelo uso prematuro e constante de desgongestionantes nasais, apesar de contar com uma memória perto de ser qualificada como ridícula, memorizo cheiros. Tenho na minha cabeça e nas minhas narinas, o cheiro da casa da minha avó, o cheiro que algumas pessoas (principalmente pessoas amigas), o cheiro de Brasília, o cheiro das minhas casas... Gosto quando reconheço os cheiros : )

Essa coisa toda passou pela minha cabeça e eu senti que ia ficar passando, impedindo-me de pegar no sono. Escrevi. Acho que resolvi parte dos pensamentos...

Meu grande desafio no momento é Paulo Coelho.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ia eu dirigindo, digerindo minhas angústias. Reta, rotatória, reta, rotatória pegando o rumo da federal. Aí a Tribo de Jah disse assim:

Dias gelados,
Me sinto cansado.
A vida vaza e voa,
Passa e não perdoa.
O tempo não tem compaixão.


Foi mal... Eu gosto de reggae.
Fazer o que, né?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Eu queria falar sobre o tempo

Vinha eu dirigindo, digerindo minhas angústias. Reta, rotatória, reta, rotatória pegando o rumo de casa. Aí Zélia Duncan e Fernanda Takai disseram assim:

Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã

Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final