segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Hoje o dia é cinza, frio, deslocado. É como se viessem cobrar aquele dia que foi quente e bonito do inverno hoje. Naquele dia não achei deslocado (e nem muito menos que cobrariam hoje).
Hoje eu passaria o dia sozinha, em silêncio. Caminharia... Respiraria longa e profundamente. Pegaria Quintana e leria assim:

AS DESPEDIDAS
Nas despedidas
O mais doloroso é que
- tanto o que fica como o que vai embora -
Poem-se os dois a pensar:
"Meu Deus! quando é que parte o raio deste trem!

E respiraria longa e profundamente.
Desta vez sentada... Até que o sol resolvesse sair novamente e aquecesse o que tem de bom dentro de mim.

Talvez por dó de mim, hoje amanheceu segunda-feira e é impossível o silêncio e a solidão.
Mas não Quintana.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Quando Nietzsche chorou

Friedrich Nietzsche disse assim:

"Os pensamentos são as sombras de nossos sentimentos: sempre mais escuros, vazios e simples."

Fiquei pensando nisso desde ontem... Aparentemente, se tivesse sentido... Não sei. Realmente não sei.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tenho plantas na minha vida agora.
Minha última aquisição foi um cacto. Aliás, dois, um pequeno e um menor ainda. O pequeno fica aqui, simpático que só ele. O menor em casa, junto com outras duas moradoras do mesmo tamanho, uma suculenta e uma hidro alguma coisa.
Daí um outro cacto no banheiro, um asparagus na área de serviço e uma palmeira rafis na sala. By the way, parece que cactos são suculentas (não me aprofundei no assunto ainda).

Tem sido como video game, o objetivo é não deixar morrer. Cactos são lindos e para iniciantes. Uma rega uma vez por semana, sem deixar água no pratinho. O tal do asparagus quase empacotou duas vezes. Sofreu uma poda reconstrutiva quando estava amarelinho, amarelinho e agora já reage verde, sorridente!
A rafis... Aah, a rafis. Fiz a última intervenção na tentativa de salvá-la. Parece que é preciso uma certa capacidade para matar uma rafis, mas isso eu não discuto. Retirei parte da terra com o adubo errado, reguei, afofei, podei as folhas curvadas e olho para ela todo santo dia esperando ver alguma mudança drástica. Assim como quando a gente tá gripado e amanhece bonzinho! Chego perto, examino, dou um suspiro e digo ai ai... Mas não, plantas não são assim.
Quem sabe agora tendo que alimentar somente quatro folhas ela não resolve reagir. Depois eu conto.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Give thanks and praise to the Lord and I will feel all right

Minha vida mudou no último mês. Entre tantas mudanças, profundas e rasas, boas e ruins, algumas sutis, como ir dirigindo para o trabalho ao invés de ir a pé.

Dirigir para o trabalho me faz entrar, por pequenos 10 minutos, no mundo dos ensandecidos. No mundo dos que já esquecem a gentileza nas primeiras horas da manhã da segunda-feira. Ah não, quero isso pra mim não.

Dirigir para o trabalho me faz voltar a ouvir rádio. Nossa, como eu gosto... Aquela de aumentar o volume quando chega uma música que eu gosto, sabe? Daí voce poderia perguntar: Mas porque você simplesmente não baixa no seu ipod e escuta exatamente a música que quer? Por duas razões. Uma que não tem a mesma emoção (sim, eu gosto de emoções) e outra que... como é que se sabe exatamente a música que se quer ouvir?

Mas então, ao invés de entrar no mundo dos ensandecidos, dirigir para o trabalho tem me dado, na maior parte dos dias, 10 minutos de bons sentimentos, de sorrisos sozinha, de uma respiração profunda e terapêutica. Hoje tocava Caetano na Verde Oliva FM (rádio do exército brasileiro).
"Não me queixo
Eu não soube te amar
Mas não deixo
De querer conquistar
Uma coisa
Qualquer em você."

E depois Bob Marley.

"One Love!
One Heart!
Let's get together and feel all right."

Talvez, sabendo que 10 minutos não seriam o bastante para hoje, ela entrou no elevador, no segundo andar, eu vinha do quinto.
- Bom dia.
- Bom dia. (vinha com fichas de avaliação de fonoaudiologia nos braços)
- Vamos lá, né, começar mais uma semana?
- Sim. Graças a Deus! Significa que estamos vivos!
- Ah sim. Tchau.
- Tchau. Bom trabalho.
- Para a senhora também.

E respirei mais cedo, sorri mais cedo. Quando Caetano começou eu já estava de coração aberto.