sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Quem dera fossem meus.


De Mário Quintana.


Se eu fosse um padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

2 comentários:

  1. Quintana já foi jovem mas, na minha cabeça, sempre será velhinho. E o que leio, (e da maneira que leio), é a poesia de um velhinho.

    Quando penso em poesia, não penso em Deus, mas na transgressão que não associamos a Ele. Mais ou menos como dizia F. Gullar: "A poesia. Quando chega. Não respeita nada."

    Quem sabe os dois estejam certos.

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  2. Ou vai ver, o "sempre leva a Deus" do Quintana signifique exatamente o mesmo que a falta de respeito do F. Gullar. Como se o sentimento fosse o mesmo, mas provocasse reações diferentes no velhinho e no outro.
    Bom, não sei! :)
    O poema estava num site, ao lado uma foto do bom velhinho. Li e olhei a foto. Provocou em mim um sentimento bom, um sorriso no rosto. Por pouco não movimentei a cabeça dizendo: hummm O senhor que escreveu isso, né?...
    Quis compartilhar.

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