http://www.youtube.com/watch?v=ZiT_YHvUThw&feature=related
Aconteceu um evento com meu irmão que me fez lembrar disso...
Esse link é de um vídeo que eu vi há alguns anos, mas que ainda me emociona. E acho que vai sempre emocionar. Revejo de tempos em tempos, porque é preciso ter paixão pela vida.
É preciso ver aqueles rostos todos parecidos, sem maquiagem. Aquela saia parecendo arco-íris, as roupas pouco passadas. É preciso ver o copo de whisky de Vinícius, ver/ouvir o violão de Toquinho.
É preciso ter paixão pela vida!
Tenho sempre saudade dos tempos que não vivi. E hoje vivo uma vida tão boa...
Disse há um ano a um professor meu, indignada porque não conseguia entender um determinado assunto: Eu sou uma pessoa sem problemas. Tenho zero problemas na minha vida. Se eu não estou entendendo, só pode ser por falta de capacidade mesmo. Então não tem jeito.
Ele só riu. (E sim, falei com sotaque. Há um ano o sotaque era muito maior que eu.)
Lá dentro de mim eu queria ter um problema sério, pra me desculpar por não ter compreendido e pra ter ainda mais paixão pela vida.
Penso que em 1970 a vida não era exatamente boa. Não sei, na verdade. É difícil mensurar essas coisas. O fato é que dentro da saudade que eu tenho desse tempo que não vivi, está a vontade imensa de ter visto a saia, o copo de whisky, os violões...
Já falei que amizade me emociona? Gosto de filmes baseados em grandes amizades (estou num momento imagens, como é possivel perceber). Penso que em 1970, quando a vida não era exatamente boa, a amizades faziam a diferença. Os amigos de violão, os amigos de whisky, os amigos da poesia, os amigos que não te delatavam "nem sob tortura" (num tempo em que a expressão fazia sentido).
Na saudade do tempo que eu não vivi está também a vontade de ter amigos assim. Até acho que tenho. Tenho grandes e bons amigos. A questão é que a vida boa nos impede de "provar" as amizades. São poucas as chances que eu tenho pra dizer o quanto os amo.
Ontem à noite fui a casa de uma amiga encontrar com várias outras. Uma delas está na minha vida há 18 anos (agora que fiz as contas pra escrever também me assustei). Não sei se ela sabe o que eu seria capaz de fazer por ela...
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles."
O texto continua lindamente...
E não. Eu não os delatarei.
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"Lá dentro de mim eu queria ter um problema sério"
ResponderExcluirQuando morava no Canadá a gente (a gente = comunidade dos brasileiros) acabava culpando o exílio por todo problema que nos aparecia. Era tudo culpa do frio, dos canadenses, da lingua estrangeira do etc. e etc. desde que o etc. fosse qualquer coisa que não nós! ("Porque no Brasil não, no Brasil é diferente").
Pensando agora, acho que essa desculpa não nos tornava mais felizes, mas esse "inimigo em comum" nos fazia cúmplices. Nos tornava mais amigos. Quem sabe seja isso que eu vejo nos "rostos todos parecidos" e todos inimigos dos generais e seus AI-cincos.
Em tempos de guerra, os beijos parecem mais apaixonados.
(E quem sabe seja isso mesmo, né ? A amizade é mesmo essa cumplicidade quase militar [no bom sentido da palavra - se é que existe algum]... esse apoio e essa segurança que nos dão ânimo para viver as pequenas batalhas do quotidiano... com ou sem exílio ou ditadura.)
"O texto continua lindamente..."
ResponderExcluirEm tempo, não sei bem de que texto v. está falando (deve ser o sono... estou caindo pelas tabelas). O seu não continua, mas termina lindamente.
(gosto de nomes de barcos e de textos que se auto-referenciam. Que passam essa idéia de unidade. Que deixam na última frase aquela sensação de que tudo que veio antes faz mais sentido porque aquela última frase existe.)
"Em tempos de guerra, os beijos parecem mais apaixonados."
ResponderExcluirEu bem acho que são, na verdade.
E é bem isso. Talvez até no meio dos parecidos que lutavam contra generais e AIs qualquer coisa, estivessem inimigos de uma luta muito menor. Entende?
Encontrar alguém que odeia o frio tanto quanto a gente. Encontrar alguém que corre e compartilha dos mesmos prazeres e dificuldades. :) Encontrar alguém com um inimigo em comum. Isso tudo nos faz ficar parecidos, eu acho. Fisicamente até.
Acho que quanto mais pensamentos e sentimentos em comum, mais parecidos. Talvez sejam os olhos que fazem eu achar todos parecidos.É como se as dificuldades (principalmente as dificuldades), nos fizessem ter o mesmo olhar. Gal Costa, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Nara Leão... de alguma forma, eles foram, em algum momento, muito parecidos.
É preciso ter entusiasmo pela vida, eu penso.
Tanto catarro tá me fazendo divagar...
(Não leve em consideração essa última frase. Devo permanecer uma lady na maior parte do tempo. Mas blogs servem pra essas coisas, afinal de contas. Né?)
O texto que eu fiz referência foi o que coloquei entre aspas.
ResponderExcluir"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles."
É um texto atribuido a Vinícius (as usual), que fala sobre amigos.
Acho lindo. Mais humano impossível.
Continua lindamente.
ResponderExcluirA amizade é um sentimento mais
nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela
se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,
que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar,
embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os
meus amores, mas enlouqueceria
se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem
o quanto são meus amigos e o quanto
minha vida depende de suas existências ….
A alguns deles não procuro, basta-me
saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir
em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com
assiduidade, não posso lhes dizer o
quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica
e não sabem que estão incluídos na
sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta
que os adoro, embora não declare e
não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem
noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis
ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte
do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do
meu encanto pela vida.
Se um deles morrer,
eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam,
eu rezo pela vida deles.
E me envergonho,
porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos
sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de
lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer …
Se alguma coisa me consome
e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite
ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam
ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
(Vinícius de Moraes)