terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Observe.

Muita coisa mudou desde o dia da análise/inspiração (lê-se: análise barra inspiração). Dentro e fora, principalmente. Quase nada na superfície, no invólucro, mas não posso dizer também que passou por tudo intocável. Já falei alguma coisa sobre O Retrato de Dorian Gray? Não lembro... Muito menos vou checar.

Bom... Vi o filme, não li o livro. Havia, não sei se ainda há, uma sessão no SBT chamada Cine Belas Artes. Passou lá e eu vi por acaso. P&B, coisa que não gosto de fato. Não lembro dos detalhes, claro, mas lembro (e vez por outra penso nisso) da idéia principal (ou o que eu entendi dela). Dorian Gray tinha um retrato seu em casa. Por alguma razão, tudo por que ele passava na vida, ao invés de refletir em sua face, refletia no retrato. Todas as mazelas, todo o sofrimento, todas as perversidades, tudo que marcaria seu rosto sem dó nem piedade, marcava o retrato. Desde então penso que é bem assim mesmo. No geral, temos a cara da vida que tivemos. Daí a "conclusão": se mudou por dentro, se mudou por fora, não tem como o invólucro não ter mudado, já que eu não tenho retrato.

Minha mãe tem o costume de dizer de vez em quando, em momentos fúnebres: É... estamos aqui só de passagem mesmo. Pode parecer, de imediato, que tem a ver com outras vidas, ou alguma coisa assim. Eu que sou uma pessoa de pouca fé (ou de menos fé do que eu gostaria), penso na "passagem" como uma coisa que realmente passa; e rápido, porque não permanece. Digo, se passasse, mas permanecesse um pouco, não seria tão rápido. Mas passa. Simplesmente passa. Continuamente.

Neste último mês eu tive a oportunidade de ver lugares e coisa que eu nunca achei que poderia. Ou até pensei, mas não tão cedo. Quando estava em vários desses lugares, pensei nos poucos que me rodearam e passaram sem ver. Pensei nos vários que me rodeiam e que muito provavelmente vão passar sem ter visto. Doeu pensar nos que eu gostaria que vissem antes de passar. E por fim pensei: Putz! Como tem o que ver nesse mundo!

É preciso tempo. Apesar da relação custo-benefício que persegue um viajante, é quase uma falta de respeito passar por um lugar sem tempo pra sentar de posse de um café e observar. Eu que sou adepta do observe antes de falar, se pudesse dar um conselho para a humanidade, diria: Observem. Tenham tempo para observar. O café fica para os que apreciam...
Poderia dizer contemplar, mas "contemplar" me passar a idéia de que não se pensa sobre. Só se está lá, inerte, contemplando. Inclusive, quase sempre que falo essa palavra prolongo o "a". Contemplaaando. Não sei se dá pra perceber o tom, mas é mais suave também. Contemplaaando. Mas talvez seja só ignorância minha e a eterna preguiça de consultar um dicionário.

Por uma coisa e outra, sou melhor para começar essa nova fase que se inicia. E passou mais um pouco. E eu ainda tenho muito pra ver.
Por essas e outras é que eu acho que devo começar um novo livro. O último foi em 2009. E eu mereço dar uma pausa na Gestão Pública...Licitação (Lê-se: Gestão Pública muitos outros assuntos interessantes mas pouco divertidos Licitação)

Ainda sem trilha sonora.

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