domingo, 7 de fevereiro de 2010

Era pra verso ter perfume

Tenho um pouco de problema em ser impessoal. Em um sentido muito específico: obra-autor. Tenho profunda dificuldade de entender e gostar da obra se não simpatizo com o autor. Já fui muito mais. Aos poucos me liberto desse atraso de vida e me permito.

Quando Michael Jackson morreu eu me choquei. Não fazia sentido aquela pessoa morrer (algumas pessoas, pra mim, nunca vão morrer... rs). Quando as pessoas morrem, por pior que tenham sido, parece que sempre ganham uma segunda chance. Uma oportunidade de deixar na memória das pessoas apenas as coisas boas que fizeram. Eu sempre tive uma imagem ruim de Michael Jackson... Não sei exatamente o porquê. Não simpatizava e, por isso, não queria intimidade. Na semana da morte, em meio à polêmica da morte, à polêmica da vida, ao funeral-show, me permiti ler sobre, ouvir sobre (afinal, as pessoas ganham uma segunda chance depois da morte). Naquela semana, alguém, acho que um reporter, disse a seguinte frase: Precisou Michael Jackson (o grande astro, o rei do pop, não lembro exatamente o que) morrer pra que o mundo soubesse que ele foi um bom pai.
Não por ele, não pelo reporter, não pela comoção mundial, mas eu parei pra pensar um pouco naquele momento. É engraçado como eu senti como se estivesse julgando o cara erroneamente a vida inteira. Como se eu pudesse ter sido injusta. E como agora ele morreu, não deu tempo de eu ter sido justa enquanto ele estava vivo. Estranho, eu sei. O ó! Mas essa não é a questão que me motivou a escrever hoje. Essa é a contextualização!

Bom. Querendo não repetir o mesmo erro com tantos outros autores e suas obras, listei alguns mentalmente. Dentre eles, está Miguel Falabela. Passeando pelo youtube, me deparei com uma longa entrevista concedida a Marília Gabriela (que também já perambulou pela lista). No final das entrevistas que ela faz, pede sempre para o convidado falar alguma frase, algum verso, algum ditado que signifique algo para ele. Miguel Falabela falou uma coisa assim: Feliz daquele que conheceu o perfume do que perdeu.

Então o assunto. Bem curto, na verdade.
Apesar de ter rinite alérgica e, por isso, ter o olfato meio alterado pelo uso prematuro e constante de desgongestionantes nasais, apesar de contar com uma memória perto de ser qualificada como ridícula, memorizo cheiros. Tenho na minha cabeça e nas minhas narinas, o cheiro da casa da minha avó, o cheiro que algumas pessoas (principalmente pessoas amigas), o cheiro de Brasília, o cheiro das minhas casas... Gosto quando reconheço os cheiros : )

Essa coisa toda passou pela minha cabeça e eu senti que ia ficar passando, impedindo-me de pegar no sono. Escrevi. Acho que resolvi parte dos pensamentos...

Meu grande desafio no momento é Paulo Coelho.

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